segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

GRANDE ENTREVISTA DE FALCÃO AO SITE DA UEFA

Falcão com a Taça da Liga Europa conquistada em Dublin pelo FC Porto frente ao Braga

Radamel Falcão atual jogador do AS Mónaco deu uma grande entrevista ao site da UEFA e que lembra a sua passagem por Portugal e pelo FC Porto. Vou colocar neste artigo a entrevista completa. Espero que gostem!

A perda do basebol foi o ganho do futebol! Na primeira parte de uma longa entrevista, Radamel Falcão fala do seu percurso, da estreia nos seniores aos 13 anos, da transferência para o River Plate, com 15, e da chegada ao estrelado no Porto.
Principais tópicos desta entrevista:
1999: Depois de ter escolhido o futebol em detrimento do basebol e regressado a casa vindo da Venezuela, Falcao estreou-se nos seniores numa formação do segundo escalão colombiano, o Lanceros Boyacá, com 13 anos.

2001
: Ruma à Argentina para jogar no River Plate, chegando à equipa principal em 2005.

2009
: Ingressa no Porto e estreia-se na UEFA Champions League numa visita ao Chelsea. Duas semanas depois marca o primeiro golo europeu a um dos seus futuros clubes, o Atlético.

2011
: Ganha a "dobradinha" em Portugal e a UEFA Europa League, apontando um número recorde de 17 golos na competição europeia, incluindo o do triunfo na final, sobre o Braga.
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UEFA.com: Comecemos pela sua infância na Colômbia. Sendo um grande jogador que ganhou tanta coisa, sabemos que teve de escolher entre o basebol e o futebol. Fale-nos sobre isso.
Radamel Falcão: Nessa altura estávamos na Venezuela e o basebol era o principal desporto na altura. Pratiquei-o e competia ao mais alto nível. O meu pai percebeu que tinha de tomar uma decisão e decidiu que deveriamos regressar à Colômbia, de modo a que me pudesse dedicar apenas ao futebol. Teria sido ainda mais difícil fazer isso na Venezuela, pois poderia ser tentado pelo basebol, desporto que eu gostava e que poderia praticar ao mesmo tempo que o futebol.
UEFA.com: Se calhar o momento em que provou ter feito bem em optar pelo futebol foi quando tinha 13 anos e se estreou pelo Lanceros. Como foi chegar ao futebol profissional com essa idade?
Falcão: Eu era muito novo e nessa altura criaram uma lei na Colômbia que incentivava os clubes a apostarem nos jovens jogadores. O clube onde eu estava, o Lanceros, tinha muitos titulares lesionados e castigados. Não havia muitas mais opções e acabaram por me escolher a mim, apesar de não estar à espera.
UEFA.com: Acabaria por chegar ao River Plate ainda muito novo. Como soube e em que pensava quando decidiu aceitar a proposta?
Falcão: Naquela altura, os jogadores colombianos começavam a sair para clubes argentinos como o River Plate, e mostraram o caminho a muitos outros. Dado que seguia o campeonato de perto, decidi ir para lá e quando chegou a possibilidade de ir para o River, não tive dúvidas. Os meus pais sabiam que fazia parte do meu sonho e apoiaram-me desde muito cedo. Aceitaram a minha decisão e deixaram-me ir para a Argentina em busca do meu sonho.
UEFA.com: Quando se estreou, Gonzalo Higuaín, Javier Mascherano, Marcelo Salas, Lucho González e Marcelo Gallardo estavam todos no clube. Juntos somam mais 380 jogos nas provas da UEFA. Descreva-nos o ambiente no balneário.
Falcão: Naquele tempo tínhamos alguns jogadores no River que iriam ter carreiras fantásticas a nível mundial. Poder estrear-me como profissional e jogar com companheiros daquele calibre foi uma experiência maravilhosa e ajudou-me a evoluir como jogador, bem como noutras áreas. Aprendi a actuar como um profissional e partilhar um balneário com jogadores como Gallardo, Marcelo Salas, Lucho González, Mascherano e Ernesto Farías, que foram todos jogadores de topo, foi um sonho que se realizou. Sonhava apenas em estar com eles, em jogar com eles, situação que se viria a concretizar.
UEFA.com: Devido às redes sociais, o mundo do futebol é agora muito pequeno, mas imagino que não seria o caso quando se mudou de continente para vir para o Porto. Teve tempo para investigar coisas como o clima, a comida e o clube?
Falcão: Quando soube que o Porto estava interessado em mim, comecei a pesquisar coisas da cidade e do clube, que via actuar na Champions League. Mas, para além do que o Porto é como cidade, as pessoas e a cultura, foi uma nova experiência que me entusiasmou porque queria vir para a Europa jogar e penso que foi a melhor opção.
O clube abriu-me as portas e fez-me evoluir em muitos aspectos. O treinador Jesualdo Ferreira ensinou-me bastante e o clube estava muito preparado. Limitava-me apenas a fazer o meu trabalho. Os bons resultados vieram depressa porque os golos surgiam, e deixei a minha marca nos tempos em que joguei no Porto.
UEFA.com: Estreou-se na UEFA Champions pelo Porto num jogo fora com o Chelsea, mas apesar do seu bom momento de forma na altura, Jesualdo Ferreira apenas o utilizou como suplente nesse jogo.
Falcão: Foi muito emocionante, quase como fazer outra estreia. Foi aí que comecei na Champions League. O Chelsea tinha muitos jogadores de classe na altura. É verdade que estava a marcar muitos golos nos jogos anteriores, mas o meu treinador foi muito cauteloso ao me fazer entrar a meio do jogo. Mais tarde, comecei a ser titular e a marcar golos também, contra Atlético e APOEL. Acabámos por chegar aos oitavos-de-final, onde defrontámos o Arsenal.
UEFA.com: Vamos falar sobre o primeiro golo na Champions League, bem bonito por sinal. Na altura recebeu uma magnífica assistência do Hulk. Fale-nos desse fantástico lance contra Luís Perea, que é também seu compatriota. Fale-nos de tudo, até da assistência, que fez com que marcasse um tento magnífico.
Falcão: Foi o meu primeiro jogo na Champions League como titular. Jogávamos em casa, no Estádio do Dragão. Recordo que o guarda-redes do Atlético Madrid era o Roberto, que se viria a lesionar, pelo que o treinador decidiu avançar com o [David] de Gea, que tinha 17 anos na altura. A bola foi parar a Hulk numa das alas. Ele tentou o remate duas vezes e a bola acabou por ressaltar sempre para ele. Quando percebeu que não havia mais nada a fazer, levantou a cabeça e viu-me. Tinha a baliza à frente e teria sido muito complicado rematar de forma convencional. A única opção foi o calcanhar e foi isso que fiz quando a bola veio para mim. De Gea fez-se ao lance, mas consegui batê-lo. Quando nos encontramos, chateio-o sempre sobre esse golo: eu fui o primeiro jogador a marcar-lhe um golo na sua carreira profissional.
UEFA.com: Recordemos agora a fantástica temporada 2010/11 com o Porto. Qual foi o momento mais importante nessa caminhada para o triunfo na Europa League? O "hat-trick" em Viena, o "hat-trick" contra o Spartak de Moscovo, os quatro golos contra o Villarreal: recordando todas essas situações, qual foi a mais importante?
Falcão: Marcar numa final é muito especial, e ajudar a equipa a ganhá-la graças a um golo marcado por mim é ainda mais especial e extremamente gratificante. Fico-me pelo golo na final da Europa League porque nos deu a vitória e o meu primeiro título europeu.
Chega ao fim esta primeira parte da entrevista do colombiano ao site da UEFA,onde fala do nosso FC Porto.